Dois

Written on 23:43 by Jóta Stilben

Muita gente não se lembra de uma frase que precisa de tristeza pra tornar-se mais legível:


"Ninguém ama sozinho".

E sem pensar nisso, todos nós esquecemos do tanto de responsabilidade que uma conquista carrega consigo. Não deveríamos.

A gente se mexe, remexe, muda, ou finge que muda e nada resolve. E o porquê? Tudo fica no mesmo lugar, já que o lugar de encaixe é fixo e ninguém sabe quem construiu.
De nada adianta ter a certeza de que a pessoa é parte de sua vida, se não carregamos conosco a responsabilidade que um EU TE AMO implica. De que adianta chamar-nos companheiros apenas quando dividimos as coisas boas que a vida a dois traz em si?

A mutualidade e a maturidade de um compromisso são versos que não podem se repetir e nem deixar de aparecer. Nestes versos que geralmente erramos quando buscamos a perfeição, a borracha tem que ser boa e a mão que apaga estes erros deve ser melhor ainda.

O que melhor para apagar um erro do que duas mãos que não se atrapalham? Duas mãos que juntas se fizeram e pretendem estar até o final da música que se canta sem cessar?

Na verdade o que eu quero dizer é que as pessoas são cativantes, mas despreocupadas pela "responsabilidade de quem cativa". O Pequeno Príncipe, que por sinal nunca li, trata sobre a necessidade da vida de forma cooperativa, e não parasita.

A vida que sobra disso tudo muitas vezes não rende um final feliz, mas por final, forma um filme que assistimos até o final, torcendo para que nos surpreenda.

Não é pretensão nenhuma tratar a pessoa como patrimônio. Sem exageros, claro, mas tratar como se fosse um barquinho daqueles de montar que dificilmente conseguimos erguer e mais dificilmente ainda mantemos intactos. Pois quando, no fim, o fim se dá, nada mais sobra além do orgulho de um amor amigo que perdurou.

Agora que dou valor a tudo o que tenho, e pensando melhor no que vivo, percebo que somos como ladrões de alma; adestradores talvez! A gente passa pela rua do mundo procurando nosso complemento espiritual e sugamos aquilo tudo na forma que cabe em nós.

Ninguém faz isso por masoquismo, sadismo ou mesmo maldade. Fazemos isso para aliviar a mão que coça para fazer um carinho, um coração que se aperta e não consegue mais bater sem o 1, 2, 3, 4 que a outra pessoa dá de início.

Resta, por fim, este jogo incrível, que homem nenhum entenderá ou repetirá. Onde cada estágio é uma nova provação.

Resta, por fim, a única escolha que não vou voltar atrás, pois no avião que pulei pra sentir o vento no rosto não há escadas e estou caindo com um sorriso bobo no rosto. O quanto durar a queda servirá para lembrar que o paraquedas quem tem é VOCÊ.

... e vice-versa.


Se o feito já está feito, o que mais resta a não ser cuidar com prazer?



"Você me abre seus braços
E a gente faz um país."

If you enjoyed this post Subscribe to our feed

1 Comment

  1. Letícia |

    Meu mundo você é quem faz...
    Música, letra e dança...
    Tudo em vc é... FULGAZ.

    Eu vou te contar um segredo: nada de mal nos alcança, pois tendo vc, meu brinquedo. nada machuca nem cansa, criança.

    Venha me dizer o que será, da minha vida, sem vc... Noite de frio, dias não há... num mundo estranho pra me segurar...

     

Postar um comentário