Shhhh
Written on 18:39 by Jóta Stilben
Hoje eu aprendi
que os olhos dizem mais
do que pedimos para ouvir.
Hoje eu aprendi
que os olhos dizem mais
do que pedimos para ouvir.
Eu queria te atingir
como quem ateia fogo.
Fazer você se contrair
sem ter de fazer jogo.
Queria deitar na tua pele
a gota salgada que lhe assanha.
Para que nas minhas costas se revele
o que pouca gente tem, ou repele:
As marcas de um vigor que arranha.
E assim, na cama, eu morreria
como todo homem que flutua:
De um lado a mão que acaricia
do outro, a que encobre a pele nua.
Muita gente sente falta
das coisas mais fáceis de se conseguir.
Eu apenas sinto vontade
daquilo que é bom de verdade:
a Letícia que imagino antes de dormir.
Foi-se a noite, mas eu não fui:
sou perseguido pela espera matinal.
Com a angústia do não-sono, na boca me flui
o merlot, o Jack, o Monte Pascoal...
Sou bom moço, a tara é intimista
a rua me passa lenta e distante,
o abajur conforta a escrita.
E no som do solista
do jazz extasiante,
a boemia se fez finita.
O cheiro da madeira da mesa
A fumaça nostálgica, a destreza
de quem, no tímpano, ressoa o violão,
Me faz lembrar que o amante solitário
Não nasceu pra ser estagiário,
nem pra viver como um qualquer João.
Procuro um chão de terra batida
Se o medo lhe consome: espera
Pois no medo o bom moço ressurge
A situação não mais é quimera
E a tua falha não mais urge.
O que tem que mudar, sempre muda
e tudo renasce como nova criança
Se a alegria se faz cisuda
Logo se faz esperança.... aguarde!
O que eu penso dela, companheiro
Não cabe maiores satisfações, eu sei
Mas de todo o mal derradeiro,
Só sabe do novo quem afirma: eu amei.
E eu amo.
É quase um apelo de bar
Onde no copo, dois cubos de gelo
Fazem um pranto, um gritar
quase um singelo apelo:
Veja como amanhece o dia
"primavera quer entrar"
mas ainda é inverno
E o eterno há de retornar
Mesmo que não faça muito sentido
Faz um berro no estereo, que reverbera
Onde na caixa, o som se faz iludido
Pra trama de paixão que a trilha sonora espera.
Eu já tenho o meu amor, e você?
Onde num afago o pranto dorme
No outro se faz entender...
Mas pra quê quatro braços
Quando um par os conforta.
Se o beijo, o cheiro de novo, importa,
Não precisa mais o papel sofrer novos amassos.
Muita gente não se lembra de uma frase que precisa de tristeza pra tornar-se mais legível:
Copyright © 2008 Prolixa Metáfora | iWork Blogger Template Designed by Nicola D Trento and Jacky Supit