Written on 19:33 by Jóta Stilben
Ame um outro alguém. Que seja gentil com você em tempo integral, que seja carinhoso, que verdadeiramente te ame sem esperar nada em troca.
Ame alguém que procure te entender mesmo que o fim se aproxime.
Ame alguém que te dê valor, que entenda seu espaço, que seja racional e emocional ao mesmo tempo.
ame alguém que te escreva cartas, poesias, que te mande flores, e te leve para jantar quando você quiser. Na verdade, nunca SEMPRE que você quiser.
Ame alguém que saiba te ouvir, que saiba falar as coisas na hora certa, sem comprometer um momento bom.
Ame alguém que seja simpático com a sua família, que seja simpático com seus amigos, e com qualquer outra pessoa na rua.
Ame alguém que seja
Mas não leve a sério quem faz tudo por você.
Luâ fika ku mi más um kusinha
Dexâ-m lambuxa na bo,
Limia nha korpu ku káima !
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Written on 10:51 by Jóta Stilben
Um buraco serviria pra vazar algum ar que existisse num peito machucado.
Mas este buraco me impede de respirar, é como se neste vazio estivessem invisíveis pedaços de ferro perfurantes.
Sinto falta do que não posso ter.
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Written on 11:37 by Jóta Stilben
Mesmo que toque o mais belo jazzque marque o compasso do amor feito,Mesmo que cubra da cabeça aos pésum amor nunca será perfeito.Pois que, amar é viver da negaçãodo próprio existir e sua consequência.Porquanto viver sozinho é solidão,viver sofrendo seria demência(?)Digo, meu caro, que é paradoxoa falta de senso entre ter e doar.Mesmo o amante mais ortodoxonunca teve um peso pra equilibrar.Falta-lhe a felicidade supremaquando não só dele é o defeito.Estranho viver neste eterno dilema,pois cremos não poder viver de outro jeito.Este conformismo é o que criao amor como é: pobre e inseguro.Mas imaginas, meu caro, que eu obedeceriao que eu próprio chorando escrevia?Jamais! Hei de morrer com esse sentimento de amor, Que mesmo doído, é nobre ... e puro!
"Já que você não me quer mais
Vou espalhar meu amor por aí
E ai de você se entrar na minha frente
Essa noite eu só quero é me divertir..."
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Written on 10:20 by Jóta Stilben
Levantei e dei dois passos em direção a porta. Ela abriu sozinha, tal qual um sorriso gentil.
Como estava bocejando de preguiça, não vi enquanto atravessava da porta para o corredor de casa. De qualquer forma não importava, não existia mais corredor.
Estava eu, subindo pé-ante-pé colina acima, deixando meu apartamento apertado pra trás. Deixando o bloco pra trás. Vendo a cidade se resumir em cinza, deixando-a também à saudade.
Enquanto andava, por pouco os meus pés descalços tocavam o chão. Sim, eu estava flutuando!
O vento finalmente estava soprando, muito ao contrário daquele ínfimo assobio que outrora realizava. Nas sobras das árvores, sombras de pássaros. E da boca dos pássaros saía jazz. Algo como Madeleine Peyroux.
Tudo aquilo o que eu sabia, que eu deixava para trás com as más lembranças, todas as contas matemáticas, as raizes quadradas das moléculas da física desapareceram da minha mente. E eu não me incomodei nem um pouco com isso. Leads jornalísticos, construções de linguagem, verbos, tudo aquilo me fugia ao som da música. E quão grato eu fiquei por saber tanto quanto um recém nascido!
O céu não era todo limpo, tinha belas nuvens que desenhavam o que a imaginação fosse capaz de produzir. Com todos aqueles dragões, barcos, anéis e senhores que eu via, não mais me sentia só, apesar de sozinho naquele lugar. A ausência da miopia em mim, fazia com que eu enxergasse cada fiapo de grama, dentre quilômetros e quilômetros de liberdade.
Liberdade...
Ao sentar, senti as costas doerem. Porém, não era o músculo, a vértebra, era o violão. Sim! O violão que estava em minhas costas quando saí de casa! Como pude esquecê-lo?
Violão no colo, a brisa fria equilibrando o calor dos intensos raios solares dispersos entre as folhas da árvore, o silêncio...
Descobri que sabia cantar e tocar. Descobri que meu repertório não fazia sentido, eram outras músicas. Eram vogalizações harmoniosas, suaves, ritmadas.
A minha voz era, por fim, bonita. A minha mão, meu toque, era suave, e meu sorriso era visto por mim mesmo. Enxergava cada gota de sinceridade em meu sorriso, como um rio translúcido que me admirava os olhos juvenis.
Um senhor sentou ao meu lado, mas não disse uma palavra sequer.
O sorriso dele era como o meu. Era um belo sorriso sincero e certo... me era familiar.
O tempo parou no pôr-do-sol, a noite não chegou. O tempo esperava o meu sono embalar as estrelas, e por fim convencê-las a aparecer.
Vi cada tonalidade, do rosa ao branco, do roxo ao azul-água, hora após hora, daquele descansar da estrela-mãe. Também descansei os olhos.
A lua cheia, o cheiro da relva recém-molhada, o sereno. Que noite agradável!
Amei-me, como nunca amei em minha vida.
Passos À Lugar Algum
Corro, corro, me deixo suar
Pingos de sal que escorrem dos poros
O ar se resfria, cortando o mundo
Respiro o vento em tempo mais rápido
De passo em passo, segundo em segundo.
Corro, corro, sem saber pr'onde ir
Corro sem hora alguma à voltar (!)
Pedras redondas desgrudam do asfalto:
Corro, salto, me deixo levar.
Tropeço, me apóio e corro...
Ate o ultimo metro de chão
Corro de tonto, um tanto perdido
Corro do dia à escuridão.
Corro, corro, e fico sem fôlego
Deito à beira do cheiro de mar
Sob um coqueiro repouso tranquilo
A volta pra casa ainda vai demorar...
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Written on 07:44 by Jóta Stilben
Saí sem meu guarda-chuva, e começou a gotejar.
Desconfio que foi proposital, mesmo que isso pareça não ter sentido.
Olhei um céu bem azul, e senti uma súbita felicidade;
Mal via o negro das nuvens carregadas, pois meu foco estava além...
Olhava através das minúsculas gotas frias que, sem pedir permissão,
tangenciavam minha face e dispersavam-se no solo, formando pequenas pocinhas que
traziam carinhosamente um cheiro distinto (e gostoso) ao meu respirar.
Veio-me uma lembrança, mas eu não lembrava de nada...
Era apenas uma vaga percepção de um "lembrar" sem definição alguma...
Do gotejar, veio a chuva fina, e da chuva fina, veio o vento, que apresentou-se
em forma de folhas secas do pós-outono à espiralar-se pelo ar, bailando ao ritmo
dos pingos d'água.
A água da chuva me trazia o cheiro da alegria em uma gostosa solidão...
De memórias que se escondiam numa neblina mental, e recusavam-se a aparecer.
(Talvez por falta de estímulo).
Algo fortemente me induzia à deitar na relva curta, e sentir a voz de um passado
ninar meus pensamentos;
Um passado de "não sei o quê" insistia em se insinuar, enquanto a chuva engrossava,
como que gritando, imperando pra que não deixasse escapar aquele momento.
Pra que guardasse aquilo tudo em vestígios: o corpo molhado, a roupa transparente,
ou quem sabe, um sorriso de canto de lábio...
Tolo que sou, fui pra casa pra não me gripar...
Tudo se tornaria mais claro, e simples (obviamente), mas simplesmente não aconteceu.
A oportunidade perdida serviu de lição, e hoje procuro a chuva, em cada céu que começa
a nublar.
Ela me procura, incansável, pra dizer que esqueci de buscar a ela, e à natureza...
E eu a procuro, e procuro respostas que só ela pode trazer...
Pra deixar saudade, apenas sussurrou em meu ouvido:
"Esqueceras o que é Nostalgia..."
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Written on 13:59 by Jóta Stilben
Amo-te, mas sofro tanto (!)
O que é orgulho? Já desconheço.
Se ontem busquei de ti nobre apreço,
hoje sou plebeu imerso em pranto.
Seja simples e pecadora, é o que me acalma
Quanta falta me fazem os teus defeitos...
Quando achas que o amor me cega os olhos da alma
Engana-te, enxergo além de teus simples trejeitos.
Seja poeta como sou - instável
Me deixa te amar, com medo e maldade.
Não sejas assim, certa como a gravidade,
Pois a tua perfeição me é inalcansável.
This face in my dreams sees in my guts
She floats me with dread
Soaked in soul
She swims in my eyes by the bed
Pour myself over her
Moon spilling in
And i wake up alone
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