Palavras de uma amiga...

Written on 14:12 by Jóta Stilben


Eu chamo - a noite responde
Sou dela, da vida, das situações
Dos bares, do escuro, desviando de corações
onde o desejo de amar se esconde.

- Que permaneçam escondidos! - ordeno,
Que afastem de mim tais correntes !
Dai-me um tom de pele, loiro ou moreno,
à manter meus lençóis todos quentes.

Não te impressiones, a vontade é minha - eu sei
pois faço o que quero, na condição feminina.
Se duvidares, dê-me um beijo molhado de gasolina
Que fogo lhe atearei...

E se acaso não lembrar do que fiz ou falei
Ou mesmo se preferir esquecer,
queira desculpar o meu "desentender"
pois tuas palavras de amor não devorarei.



"E eu dizia: Ainda é cedo!"





No quarto andar...

Written on 11:06 by Jóta Stilben

A saudade irá bater,
Vai declarar que está tão farta de estar
presente ao lado de um mesmo ser.
Mesmo com notícias, telefone, cartas bobas o
que resta em nossas roupas é
o cheiro e um mal querer.

Você já não é a rosa bela
que estava em minha vista
pois esta mulher bem quista
não quer mais amar.

Eu pensei na noite
que passou por nós
o açoite onde tu fazia
pouco caso e agora
vem roubar meu ar?

Se a solidão amiga for
Esquecerei onde buscar você
Hei de encontrar mais linda flor
Que num sorriso não irá esquecer... de mim.

Hoje é terça-feira.

Written on 10:28 by Jóta Stilben

Amanheceu um dia frio de um 14 de agosto qualquer.


A cama o prendia, como todos os dias, e, não fosse o pão com manteiga, leite e suco da mãe, provavelmente estaria lá até agora. "Ninguém mandou ter filho homem!"
Resolveu andar até a faculdade, mas antes de sair tomou um banho e vestiu um casaco apertado por cima da roupa (imaginando que havia tossido muito durante a noite).
Metade do caminho foi com os olhos fechados e um hardcore no ouvido, tentando não se concentrar no caminho que passava por ele, conforme seu corpo dolorido se movia. Chegou em sua faculdade mas não sentiu vontade de entrar no laboratório de informática. A muito tempo não sente aquela ânsia de jornalizar que sentia assim que ingressou no curso.
O trabalho de ontem foi estressante, e pesavam seus olhos de cansaço. Já havia cabulado 1 hora de aula, dava pra esperar mais 15 minutos até o intervalo passar.
Na cantina, parou pra ver roupas e comportamentos alheios, mas não chegou a se impressionar com o que viu.
Lembrava vez ou outra da sua namorada, do aborrecimento que havia causado: "devia ter explicado direito, que na verdade eu queria que ela entendesse que mesmo sendo problema dela, não é legal ficar devendo na locadora e esperar os outros pagarem. Mas deixa, já aconteceu, e voltar atrás só vai trazer mais lamentações."
Resolveu tentar se empenhar nos estudos, pelo menos no dia de hoje, e fez o que havia lhe pedido a professora. Quase perdeu a carona por isso, mas se sentiu satisfeito.
Pegou uns moldes de corte de cabelo e foi tentar cortar o seu, mas como todo mundo tem direito de almoçar, ele ficou sem o direito de cortar o cabelo. Tudo bem, pensou, já tá ruim mesmo, deixa ficar. Obviamente que mais cedo ou mais tarde haveria de brigar com a namorada. E hoje foi mais cedo que nos outros dias.
Ele sabe que ela pensa em desistir, e ele também pensaria, não fosse a insegurança de pensar que não conseguiria outra pessoa melhor. E ela também pensa assim...
Foi trabalhar sem muita vontade, dormiu no ônibus e foi acordado pelo seu anjo da guarda, na mesma quadra que sempre acordou quando se deixou cochilar outro dia.
Leu o que não gostaria de ter lido na internet. Se tratava do blog da sua namorada. "Enfim, deixa ela viver um pouco pra sentir falta do carinho, afinal, sempre houve esse problema da duração dos desentendimentos. Ela faz questão de não ficar bem, e eu faço questão de deixar ela sentir a ausência do meu carinho. É triste mais é necessário."
Está esperando o dia repentinamente melhorar, aliás, está esperando repentinamente melhorar para o dia. Ganhou alguns sorrisos, e tá devendo com juros estes sorrisos pra mais tarde. Espera cumprir a aposta pois não gosta de ficar devendo nada.
Hoje é terça-feira, dia de distribuir sorrisos.




"Enfrentarei todo o mal, só pra te ver..."