Shhhh

Written on 18:39 by Jóta Stilben

Hoje eu aprendi
que os olhos dizem mais
do que pedimos para ouvir.

Volúpia

Written on 22:02 by Jóta Stilben

Eu queria te atingir
como quem ateia fogo.
Fazer você se contrair
sem ter de fazer jogo.


Queria deitar na tua pele
a gota salgada que lhe assanha.
Para que nas minhas costas se revele
o que pouca gente tem, ou repele:
As marcas de um vigor que arranha.


E assim, na cama, eu morreria
como todo homem que flutua:
De um lado a mão que acaricia
do outro, a que encobre a pele nua.


Muita gente sente falta
das coisas mais fáceis de se conseguir.
Eu apenas sinto vontade
daquilo que é bom de verdade:
a Letícia que imagino antes de dormir.

Pornografia

Written on 21:36 by Jóta Stilben

Foi-se a noite, mas eu não fui:
sou perseguido pela espera matinal.
Com a angústia do não-sono, na boca me flui
o merlot, o Jack, o Monte Pascoal...

Sou bom moço, a tara é intimista
a rua me passa lenta e distante,
o abajur conforta a escrita.

E no som do solista
do jazz extasiante,
a boemia se fez finita.

O cheiro da madeira da mesa
A fumaça nostálgica, a destreza
de quem, no tímpano, ressoa o violão,
Me faz lembrar que o amante solitário
Não nasceu pra ser estagiário,
nem pra viver como um qualquer João.

O que há por vir.

Written on 20:57 by Jóta Stilben

Procuro um chão de terra batida

onde o asfalto ainda não preencheu
Um por-de-sol, ou manhã nascida
que um prédio qualquer não corrompeu.

A mesa da vida que não tenha um pano em cima
E se tiver, que não tenham apostado
À tragar o errado, e na rima
Fazê-lo inesperado.

Na vida, pouca coisa me arrasta,
E na pasta, a poesia que é rouca
deixaria de fingir-se de casta

Pois, se o mel da morena me adoça a boca
E se o futuro não vem de forma louca,
Nada mais, além disso, me basta.

Written on 23:28 by Jóta Stilben

Se o medo lhe consome: espera
Pois no medo o bom moço ressurge
A situação não mais é quimera
E a tua falha não mais urge.

O que tem que mudar, sempre muda
e tudo renasce como nova criança
Se a alegria se faz cisuda
Logo se faz esperança.... aguarde!

O que eu penso dela, companheiro
Não cabe maiores satisfações, eu sei
Mas de todo o mal derradeiro,
Só sabe do novo quem afirma: eu amei.

E eu amo.

Não pensei num título

Written on 23:24 by Jóta Stilben

É quase um apelo de bar
Onde no copo, dois cubos de gelo
Fazem um pranto, um gritar
quase um singelo apelo:

Veja como amanhece o dia
"primavera quer entrar"
mas ainda é inverno
E o eterno há de retornar

Mesmo que não faça muito sentido
Faz um berro no estereo, que reverbera
Onde na caixa, o som se faz iludido
Pra trama de paixão que a trilha sonora espera.

Eu já tenho o meu amor, e você?
Onde num afago o pranto dorme
No outro se faz entender...

Mas pra quê quatro braços
Quando um par os conforta.
Se o beijo, o cheiro de novo, importa,
Não precisa mais o papel sofrer novos amassos.

Dois

Written on 23:43 by Jóta Stilben

Muita gente não se lembra de uma frase que precisa de tristeza pra tornar-se mais legível:


"Ninguém ama sozinho".

E sem pensar nisso, todos nós esquecemos do tanto de responsabilidade que uma conquista carrega consigo. Não deveríamos.

A gente se mexe, remexe, muda, ou finge que muda e nada resolve. E o porquê? Tudo fica no mesmo lugar, já que o lugar de encaixe é fixo e ninguém sabe quem construiu.
De nada adianta ter a certeza de que a pessoa é parte de sua vida, se não carregamos conosco a responsabilidade que um EU TE AMO implica. De que adianta chamar-nos companheiros apenas quando dividimos as coisas boas que a vida a dois traz em si?

A mutualidade e a maturidade de um compromisso são versos que não podem se repetir e nem deixar de aparecer. Nestes versos que geralmente erramos quando buscamos a perfeição, a borracha tem que ser boa e a mão que apaga estes erros deve ser melhor ainda.

O que melhor para apagar um erro do que duas mãos que não se atrapalham? Duas mãos que juntas se fizeram e pretendem estar até o final da música que se canta sem cessar?

Na verdade o que eu quero dizer é que as pessoas são cativantes, mas despreocupadas pela "responsabilidade de quem cativa". O Pequeno Príncipe, que por sinal nunca li, trata sobre a necessidade da vida de forma cooperativa, e não parasita.

A vida que sobra disso tudo muitas vezes não rende um final feliz, mas por final, forma um filme que assistimos até o final, torcendo para que nos surpreenda.

Não é pretensão nenhuma tratar a pessoa como patrimônio. Sem exageros, claro, mas tratar como se fosse um barquinho daqueles de montar que dificilmente conseguimos erguer e mais dificilmente ainda mantemos intactos. Pois quando, no fim, o fim se dá, nada mais sobra além do orgulho de um amor amigo que perdurou.

Agora que dou valor a tudo o que tenho, e pensando melhor no que vivo, percebo que somos como ladrões de alma; adestradores talvez! A gente passa pela rua do mundo procurando nosso complemento espiritual e sugamos aquilo tudo na forma que cabe em nós.

Ninguém faz isso por masoquismo, sadismo ou mesmo maldade. Fazemos isso para aliviar a mão que coça para fazer um carinho, um coração que se aperta e não consegue mais bater sem o 1, 2, 3, 4 que a outra pessoa dá de início.

Resta, por fim, este jogo incrível, que homem nenhum entenderá ou repetirá. Onde cada estágio é uma nova provação.

Resta, por fim, a única escolha que não vou voltar atrás, pois no avião que pulei pra sentir o vento no rosto não há escadas e estou caindo com um sorriso bobo no rosto. O quanto durar a queda servirá para lembrar que o paraquedas quem tem é VOCÊ.

... e vice-versa.


Se o feito já está feito, o que mais resta a não ser cuidar com prazer?



"Você me abre seus braços
E a gente faz um país."

Written on 19:28 by Jóta Stilben

Fico tonto, as mãos tremulam completamente fora de controle. Eu tento me enganar, imaginando ser a ressaca de ontem. Parece até que eu bebi pra esquecer você.

Foi mais ou menos assim. Aliás, tem sido mais ou menos assim, pois da minha vida realizada, me falta um amor. Todos os rostos têm o seu rosto, e isso não é engraçado.

Agora me sinto como Dom Casmurro, sem saber quais são os olhos do meu filho, se são meus, se são de outro. Na história era um amigo traidor, na minha é um inimigo.
Será que proibir realmene desperta interesse? Por que mentir? Pra que negar? Por que somos tão hipócritas?
Por que sou tão hipócrita? Por que sou sensível?

Ame...

Written on 19:33 by Jóta Stilben

Ame um outro alguém. Que seja gentil com você em tempo integral, que seja carinhoso, que verdadeiramente te ame sem esperar nada em troca.
Ame alguém que procure te entender mesmo que o fim se aproxime.
Ame alguém que te dê valor, que entenda seu espaço, que seja racional e emocional ao mesmo tempo.
ame alguém que te escreva cartas, poesias, que te mande flores, e te leve para jantar quando você quiser. Na verdade, nunca SEMPRE que você quiser.
Ame alguém que saiba te ouvir, que saiba falar as coisas na hora certa, sem comprometer um momento bom.
Ame alguém que seja simpático com a sua família, que seja simpático com seus amigos, e com qualquer outra pessoa na rua.
Ame alguém que seja

Mas não leve a sério quem faz tudo por você.






Luâ fika ku mi más um kusinha
Dexâ-m lambuxa na bo,
Limia nha korpu ku káima !

Written on 10:51 by Jóta Stilben

Um buraco serviria pra vazar algum ar que existisse num peito machucado.
Mas este buraco me impede de respirar, é como se neste vazio estivessem invisíveis pedaços de ferro perfurantes.
Sinto falta do que não posso ter.

Não há perfeição no amar.

Written on 11:37 by Jóta Stilben


Mesmo que toque o mais belo jazz
que marque o compasso do amor feito,
Mesmo que cubra da cabeça aos pés
um amor nunca será perfeito.

Pois que, amar é viver da negação
do próprio existir e sua consequência.
Porquanto viver sozinho é solidão,
viver sofrendo seria demência(?)

Digo, meu caro, que é paradoxo
a falta de senso entre ter e doar.
Mesmo o amante mais ortodoxo
nunca teve um peso pra equilibrar.

Falta-lhe a felicidade suprema
quando não só dele é o defeito.
Estranho viver neste eterno dilema,
pois cremos não poder viver de outro jeito.

Este conformismo é o que cria
o amor como é: pobre e inseguro.
Mas imaginas, meu caro, que eu obedeceria
o que eu próprio chorando escrevia?
Jamais! Hei de morrer com esse sentimento de amor,
Que mesmo doído, é nobre ... e puro!





"Já que você não me quer mais
Vou espalhar meu amor por aí
E ai de você se entrar na minha frente
Essa noite eu só quero é me divertir..."

Realidade

Written on 10:20 by Jóta Stilben

Levantei e dei dois passos em direção a porta. Ela abriu sozinha, tal qual um sorriso gentil.
Como estava bocejando de preguiça, não vi enquanto atravessava da porta para o corredor de casa. De qualquer forma não importava, não existia mais corredor.

Estava eu, subindo pé-ante-pé colina acima, deixando meu apartamento apertado pra trás. Deixando o bloco pra trás. Vendo a cidade se resumir em cinza, deixando-a também à saudade.
Enquanto andava, por pouco os meus pés descalços tocavam o chão. Sim, eu estava flutuando!
O vento finalmente estava soprando, muito ao contrário daquele ínfimo assobio que outrora realizava. Nas sobras das árvores, sombras de pássaros. E da boca dos pássaros saía jazz. Algo como Madeleine Peyroux.

Tudo aquilo o que eu sabia, que eu deixava para trás com as más lembranças, todas as contas matemáticas, as raizes quadradas das moléculas da física desapareceram da minha mente. E eu não me incomodei nem um pouco com isso. Leads jornalísticos, construções de linguagem, verbos, tudo aquilo me fugia ao som da música. E quão grato eu fiquei por saber tanto quanto um recém nascido!

O céu não era todo limpo, tinha belas nuvens que desenhavam o que a imaginação fosse capaz de produzir. Com todos aqueles dragões, barcos, anéis e senhores que eu via, não mais me sentia só, apesar de sozinho naquele lugar. A ausência da miopia em mim, fazia com que eu enxergasse cada fiapo de grama, dentre quilômetros e quilômetros de liberdade.

Liberdade...

Ao sentar, senti as costas doerem. Porém, não era o músculo, a vértebra, era o violão. Sim! O violão que estava em minhas costas quando saí de casa! Como pude esquecê-lo?
Violão no colo, a brisa fria equilibrando o calor dos intensos raios solares dispersos entre as folhas da árvore, o silêncio...

Descobri que sabia cantar e tocar. Descobri que meu repertório não fazia sentido, eram outras músicas. Eram vogalizações harmoniosas, suaves, ritmadas.
A minha voz era, por fim, bonita. A minha mão, meu toque, era suave, e meu sorriso era visto por mim mesmo. Enxergava cada gota de sinceridade em meu sorriso, como um rio translúcido que me admirava os olhos juvenis.
Um senhor sentou ao meu lado, mas não disse uma palavra sequer.
O sorriso dele era como o meu. Era um belo sorriso sincero e certo... me era familiar.

O tempo parou no pôr-do-sol, a noite não chegou. O tempo esperava o meu sono embalar as estrelas, e por fim convencê-las a aparecer.
Vi cada tonalidade, do rosa ao branco, do roxo ao azul-água, hora após hora, daquele descansar da estrela-mãe. Também descansei os olhos.
A lua cheia, o cheiro da relva recém-molhada, o sereno. Que noite agradável!

Amei-me, como nunca amei em minha vida.





Passos À Lugar Algum



Corro, corro, me deixo suar
Pingos de sal que escorrem dos poros
O ar se resfria, cortando o mundo
Respiro o vento em tempo mais rápido
De passo em passo, segundo em segundo.

Corro, corro, sem saber pr'onde ir
Corro sem hora alguma à voltar (!)
Pedras redondas desgrudam do asfalto:
Corro, salto, me deixo levar.

Tropeço, me apóio e corro...
Ate o ultimo metro de chão
Corro de tonto, um tanto perdido
Corro do dia à escuridão.

Corro, corro, e fico sem fôlego
Deito à beira do cheiro de mar
Sob um coqueiro repouso tranquilo
A volta pra casa ainda vai demorar...


Chuva fina

Written on 07:44 by Jóta Stilben


Saí sem meu guarda-chuva, e começou a gotejar.
Desconfio que foi proposital, mesmo que isso pareça não ter sentido.
Olhei um céu bem azul, e senti uma súbita felicidade;
Mal via o negro das nuvens carregadas, pois meu foco estava além...
Olhava através das minúsculas gotas frias que, sem pedir permissão,
tangenciavam minha face e dispersavam-se no solo, formando pequenas pocinhas que
traziam carinhosamente um cheiro distinto (e gostoso) ao meu respirar.
Veio-me uma lembrança, mas eu não lembrava de nada...
Era apenas uma vaga percepção de um "lembrar" sem definição alguma...
Do gotejar, veio a chuva fina, e da chuva fina, veio o vento, que apresentou-se
em forma de folhas secas do pós-outono à espiralar-se pelo ar, bailando ao ritmo
dos pingos d'água.
A água da chuva me trazia o cheiro da alegria em uma gostosa solidão...
De memórias que se escondiam numa neblina mental, e recusavam-se a aparecer.
(Talvez por falta de estímulo).
Algo fortemente me induzia à deitar na relva curta, e sentir a voz de um passado
ninar meus pensamentos;
Um passado de "não sei o quê" insistia em se insinuar, enquanto a chuva engrossava,
como que gritando, imperando pra que não deixasse escapar aquele momento.
Pra que guardasse aquilo tudo em vestígios: o corpo molhado, a roupa transparente,
ou quem sabe, um sorriso de canto de lábio...
Tolo que sou, fui pra casa pra não me gripar...
Tudo se tornaria mais claro, e simples (obviamente), mas simplesmente não aconteceu.
A oportunidade perdida serviu de lição, e hoje procuro a chuva, em cada céu que começa
a nublar.
Ela me procura, incansável, pra dizer que esqueci de buscar a ela, e à natureza...
E eu a procuro, e procuro respostas que só ela pode trazer...
Pra deixar saudade, apenas sussurrou em meu ouvido:



"Esqueceras o que é Nostalgia..."

Endeusar

Written on 13:59 by Jóta Stilben

Amo-te, mas sofro tanto (!)
O que é orgulho? Já desconheço.
Se ontem busquei de ti nobre apreço,
hoje sou plebeu imerso em pranto.

Seja simples e pecadora, é o que me acalma
Quanta falta me fazem os teus defeitos...
Quando achas que o amor me cega os olhos da alma
Engana-te, enxergo além de teus simples trejeitos.

Seja poeta como sou - instável
Me deixa te amar, com medo e maldade.
Não sejas assim, certa como a gravidade,
Pois a tua perfeição me é inalcansável.



This face in my dreams sees in my guts
She floats me with dread
Soaked in soul
She swims in my eyes by the bed
Pour myself over her
Moon spilling in
And i wake up alone



Palavras de uma amiga...

Written on 14:12 by Jóta Stilben


Eu chamo - a noite responde
Sou dela, da vida, das situações
Dos bares, do escuro, desviando de corações
onde o desejo de amar se esconde.

- Que permaneçam escondidos! - ordeno,
Que afastem de mim tais correntes !
Dai-me um tom de pele, loiro ou moreno,
à manter meus lençóis todos quentes.

Não te impressiones, a vontade é minha - eu sei
pois faço o que quero, na condição feminina.
Se duvidares, dê-me um beijo molhado de gasolina
Que fogo lhe atearei...

E se acaso não lembrar do que fiz ou falei
Ou mesmo se preferir esquecer,
queira desculpar o meu "desentender"
pois tuas palavras de amor não devorarei.



"E eu dizia: Ainda é cedo!"





No quarto andar...

Written on 11:06 by Jóta Stilben

A saudade irá bater,
Vai declarar que está tão farta de estar
presente ao lado de um mesmo ser.
Mesmo com notícias, telefone, cartas bobas o
que resta em nossas roupas é
o cheiro e um mal querer.

Você já não é a rosa bela
que estava em minha vista
pois esta mulher bem quista
não quer mais amar.

Eu pensei na noite
que passou por nós
o açoite onde tu fazia
pouco caso e agora
vem roubar meu ar?

Se a solidão amiga for
Esquecerei onde buscar você
Hei de encontrar mais linda flor
Que num sorriso não irá esquecer... de mim.

Hoje é terça-feira.

Written on 10:28 by Jóta Stilben

Amanheceu um dia frio de um 14 de agosto qualquer.


A cama o prendia, como todos os dias, e, não fosse o pão com manteiga, leite e suco da mãe, provavelmente estaria lá até agora. "Ninguém mandou ter filho homem!"
Resolveu andar até a faculdade, mas antes de sair tomou um banho e vestiu um casaco apertado por cima da roupa (imaginando que havia tossido muito durante a noite).
Metade do caminho foi com os olhos fechados e um hardcore no ouvido, tentando não se concentrar no caminho que passava por ele, conforme seu corpo dolorido se movia. Chegou em sua faculdade mas não sentiu vontade de entrar no laboratório de informática. A muito tempo não sente aquela ânsia de jornalizar que sentia assim que ingressou no curso.
O trabalho de ontem foi estressante, e pesavam seus olhos de cansaço. Já havia cabulado 1 hora de aula, dava pra esperar mais 15 minutos até o intervalo passar.
Na cantina, parou pra ver roupas e comportamentos alheios, mas não chegou a se impressionar com o que viu.
Lembrava vez ou outra da sua namorada, do aborrecimento que havia causado: "devia ter explicado direito, que na verdade eu queria que ela entendesse que mesmo sendo problema dela, não é legal ficar devendo na locadora e esperar os outros pagarem. Mas deixa, já aconteceu, e voltar atrás só vai trazer mais lamentações."
Resolveu tentar se empenhar nos estudos, pelo menos no dia de hoje, e fez o que havia lhe pedido a professora. Quase perdeu a carona por isso, mas se sentiu satisfeito.
Pegou uns moldes de corte de cabelo e foi tentar cortar o seu, mas como todo mundo tem direito de almoçar, ele ficou sem o direito de cortar o cabelo. Tudo bem, pensou, já tá ruim mesmo, deixa ficar. Obviamente que mais cedo ou mais tarde haveria de brigar com a namorada. E hoje foi mais cedo que nos outros dias.
Ele sabe que ela pensa em desistir, e ele também pensaria, não fosse a insegurança de pensar que não conseguiria outra pessoa melhor. E ela também pensa assim...
Foi trabalhar sem muita vontade, dormiu no ônibus e foi acordado pelo seu anjo da guarda, na mesma quadra que sempre acordou quando se deixou cochilar outro dia.
Leu o que não gostaria de ter lido na internet. Se tratava do blog da sua namorada. "Enfim, deixa ela viver um pouco pra sentir falta do carinho, afinal, sempre houve esse problema da duração dos desentendimentos. Ela faz questão de não ficar bem, e eu faço questão de deixar ela sentir a ausência do meu carinho. É triste mais é necessário."
Está esperando o dia repentinamente melhorar, aliás, está esperando repentinamente melhorar para o dia. Ganhou alguns sorrisos, e tá devendo com juros estes sorrisos pra mais tarde. Espera cumprir a aposta pois não gosta de ficar devendo nada.
Hoje é terça-feira, dia de distribuir sorrisos.




"Enfrentarei todo o mal, só pra te ver..."